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A saúde e a baleia azul
Ter, 01 de Agosto de 2017 11:00

Alfredo Guarischi*

 

O jogo da baleia azul é um enorme problema que vem preocupando todos os responsáveis por adolescentes. Propondo cinquenta desafios em complexidade crescente, chega a sugerir o suicídio na última etapa.

É possível que esse crime cibernético tenha nascido, em algum ponto da Rússia, como uma notícia falsa (fake news).

Quem estabelece as regras e propõe os desafios é um canalha denominado mentor, uma espécie de líder, geralmente adulto, que ordena a tarefa a ser realizada no dia, exigindo a comprovação com fotos do trabalho feito.

Essa fake news se tornou realidade quando a tarefa número 50, que poderia ser pular do alto de um edifício, foi dessa forma cumprida por uma jovem de 15 anos. Outros adolescentes chegaram ao fim do jogo e de suas vidas, se atirando na frente de um trem em movimento ou se enforcando, por exemplo.

Isso ocorreu na França, Romênia, Inglaterra e outros países, chegando ao Brasil.
Nossa assoberbada, mal remunerada e metralhada polícia tem mais esse desafio a investigar.
Como aqui é o país onde surgiu a ideia de que nunca se viu nada igual, inovamos, mas baseados em notícias verdadeiras.
Isso é que é ser diferente!
Os hospitais públicos estão sucateados. O SUS vem sendo atacado de forma firme, para que se crie um sistema de planos de saúde que jamais darão cobertura adequada.

O Brasil tem mais faculdades de medicina que os EUA e a China, perdendo apenas para a Índia; nos últimos treze anos, nosso governo vem promovendo desenfreada destruição das faculdades de medicina públicas e incentivando a criação de escolas médicas sem qualquer planejamento racional, na maioria das vezes, para atender grupos políticos. De maneira despudorada, sustenta algumas faculdades privadas de fundo de quintal com a oferta de bolsas de estudos com dinheiro público. O valor das mensalidades é estabelecido por essas mesmas empresas de ensino, tornando a medicina o mais lucrativo negócio de ensino superior brasileiro. O correto seria aumentar o número de faculdades públicas ou o número de vagas nas já existentes.

Esse projeto enfraquece a formação profissional, pois o ensino médico exige hospitais-escola e longo treinamento após os seis anos de faculdade, sendo necessária residência médica de três a cinco anos para formar um profissional pleno.

Faltam remédios, e os que compram podem ser como a asparaginase chinesa, usada para o tratamento de crianças com leucemia, que não tem certificação, mas tem impurezas de sobra.

Como eu, a maioria dos médicos há muito vem alertando sobre o que ocorre com o sistema de saúde brasileiro.

Mesmo assim, e diante de tantas notícias verdadeiras, nosso Ministério da Saúde decidiu impor aos brasileiros, principalmente os idosos, o seu jogo da baleia azul.

As tarefas impostas podem piorar ainda mais o que já está muito ruim.

Esse jogo tem que ser proibido e a polícia vai ter que investigar.

 

* Médico, cirurgião geral e oncológico, especialista em Fator Humano. E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

     

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